Aranha Noturna: 5 Espécies com Hábitos Noturnos no Brasil
A maioria das aranhas tem hábitos noturnos: saem de seus esconderijos após o anoitecer para caçar e explorar o ambiente. No Brasil, as espécies com maior atividade noturna incluem a armadeira, a aranha-marrom, a caranguejeira e a aranha-golias.
O Que São Aranhas Noturnas?
Aranhas noturnas são espécies que concentram a maior parte das suas atividades — caça, deslocamento e acasalamento — durante a noite. De dia, ficam em esconderijos: frestas de parede, sob pedras, em tocas no solo ou entre folhas secas. Ao anoitecer, saem em busca de presas.
Esse comportamento tem vantagens: menos competidores e menos predadores diurnos. Para humanos, o risco prático é maior à noite, quando encontros acidentais são mais frequentes — especialmente ao calçar sapatos ou manusear material empilhado.
Aranhas Noturnas no Brasil
1. Aranha-Armadeira (Phoneutria)
A armadeira é uma das aranhas noturnas mais perigosas do Brasil. Pertence ao gênero Phoneutria e é conhecida pelo comportamento defensivo característico: ao se sentir ameaçada, ergue as patas dianteiras e expõe as quelíceras (ferrões), numa postura de alerta que lhe deu o nome.
Ao contrário do que se imagina, ela não constói teia para capturar presas. Caça ativamente à noite, perseguindo insetos, grilos, gafanhotos e outros artrópodes com agilidade. O veneno é neurotóxico e pode paralisar a presa em segundos.
É encontrada principalmente nas regiões sul e sudeste do Brasil, onde se abriga em plantações de banana (daí o apelido “aranha-de-bananeira”), em entulhos, lenha empilhada e até dentro de calçados. Mede entre 4 e 6 cm. Em caso de picada, procure imediatamente um serviço de saúde — o Instituto Butantan fornece soro antiveneno e orientações.
2. Aranha-Golias (Theraphosa blondi)
A aranha-golias é considerada a mais robusta do mundo, podendo atingir até 30 cm. Pertence à família das tarântulas (Theraphosidae). É endêmica do norte do Brasil (especialmente na Amazônia), mas também ocorre na Venezuela, Colômbia, Guiana Francesa e Suriname.
Apesar do tamanho intimidador, não é agressiva. Passa o dia em tocas e sai à noite para caçar insetos, pequenos roedores, anfíbios e, ocasionalmente, filhotes de pássaros — daí o nome “comedora-de-pássaros”. O veneno tem toxicidade baixa para humanos; a picada causa dor e inchaço localizado, sem risco de morte.
3. Aranha-Marrom (Loxosceles)
A aranha-marrom é uma das mais perigosas do Brasil — não pela agressividade, mas pelo veneno. Pertence ao gênero Loxosceles, que engloba várias espécies com nomes científicos distintos.
Mede entre 1 e 4 cm, tem coloração entre o castanho-claro e o castanho-escuro e se distingue pelos 6 olhos (em três pares), não os 8 da maioria das aranhas. De dia permanece oculta em frestas, cantos, atrás de quadros e sob rodapés. À noite, sai para caçar insetos.
A picada é muitas vezes indolor no momento, mas o veneno necrotizante pode causar feridas extensas. Em caso de picada suspeita, guarde a aranha (se possível) e procure atendimento médico imediatamente.
4. Aranha-Caranguejeira (Lasiodora parahybana)
A caranguejeira brasileira (Lasiodora parahybana) é endêmica do nordeste do Brasil — especificamente da Paraíba — e é a segunda espécie mais robusta do mundo, atrás apenas da aranha-golias. Pertence à família Theraphosidae, como todas as tarântulas.
É uma aranha noturna de grande porte, com corpo volumoso coberto de pelos escuros. Os pelos são, curiosamente, sua principal arma de defesa: ao sentir ameaça, a aranha os arremessa com as patas traseiras. Os pelos causam irritação intensa na pele e nos olhos do agressor. O veneno em si tem baixa toxicidade para humanos.
Sua dieta inclui grilos, besouros, pequenos roedores e anfíbios. Vive em tocas no solo e sai à noite para caçar.
5. Hysterocrates Gigas (Tarântula Africana)
A Hysterocrates gigas, conhecida como Cameron Red Baboon, é nativa das savanas africanas — não do Brasil. É frequentemente incluída em listas sobre aranhas noturnas porque ilustra bem o comportamento de tocas noturnas e é criada por colecionadores brasileiros.
Atinge entre 25 e 28 cm, é agressiva e territorial. Passa longos períodos do dia em tocas subterrâneas, saindo apenas à noite para caçar insetos, invertebrados e anfíbios. Inocula veneno paralisante para imobilizar as presas.
Todas as Aranhas São Noturnas?
Não. Algumas espécies são diurnas, como as aranhas-saltadoras da família Salticidae, que caçam por visão e precisam da luz do dia. Outras são ativas tanto de dia quanto de noite. Porém, a maioria das espécies com potencial de causar acidentes no Brasil — armadeira e aranha-marrom — tem hábitos predominantemente noturnos.
Como se Proteger de Aranhas Noturnas
- Sacuda roupas, calçados e toalhas antes de usar, especialmente ao amanhecer.
- Mantenha a casa organizada — evite caixas e materiais empilhados que funcionam como esconderijo.
- Em caso de picada de aranha com sintomas intensos (dor, inchaço, vermelhidão progressiva), procure atendimento médico imediatamente.
- Consulte o Centro de Vigilância Sanitária ou o Instituto Butantan para informações sobre acidentes com aranhas.
Perguntas Frequentes
Quais são as aranhas noturnas mais comuns no Brasil?
As aranhas noturnas mais comuns no Brasil são a aranha-armadeira (Phoneutria), a aranha-marrom (Loxosceles), a caranguejeira (Lasiodora parahybana) e a aranha-golias (Theraphosa blondi). Todas saem à noite para caçar e se escondem durante o dia em frestas e tocas.
Todas as aranhas são noturnas?
Não. Algumas espécies, como as aranhas-saltadoras (Salticidae), são diurnas e caçam pela visão durante o dia. Porém, a maioria das espécies com potencial de causar acidentes no Brasil — aranha-armadeira e aranha-marrom — tem hábitos predominantemente noturnos.
O que fazer ao encontrar uma aranha noturna em casa?
Não tente capturar com as mãos. Use um pote de vidro para cobrir a aranha e um papel firme por baixo para retirar com segurança. Se a aranha for de grande porte ou parecer ser uma armadeira, chame uma dedetizadora ou a defesa civil do município.
A aranha-marrom é noturna?
Sim. A aranha-marrom (gênero Loxosceles) tem hábitos noturnos. De dia fica oculta em frestas, atrás de quadros, sob rodapés ou em roupas guardadas. À noite sai para caçar insetos. É responsável pela maioria dos acidentes com aranhas no Brasil, junto à armadeira.






