Tuco-Tuco: Habitat, Características e Curiosidades do Roedor Subterrâneo
O tuco-tuco é um roedor subterrâneo do gênero Ctenomys, com mais de 60 espécies distribuídas pela América do Sul. O nome é uma onomatopeia: vem do som característico que o animal produz dentro dos túneis, um repetitivo “tuc-tuc-tuc”.
Apesar de ser mais ouvido do que visto, o tuco-tuco é um animal fascinante — e muito mais complexo do que parece à primeira vista. Este guia traz tudo o que você precisa saber sobre o habitat, as características físicas, o comportamento e as espécies brasileiras.
O que é o tuco-tuco?
O tuco-tuco pertence à família Ctenomyidae e ao gênero Ctenomys. É um roedor de pequeno a médio porte, altamente especializado para a vida subterrânea. Sua forma de vida lembra a da toupeira europeia — mas os dois não têm parentesco próximo. É um exemplo de evolução convergente: grupos diferentes chegaram a soluções parecidas para o mesmo problema (escavar e viver no subsolo).
Características físicas
O corpo do tuco-tuco é compacto e cilíndrico, adaptado para se mover em túneis estreitos:
- Comprimento: 15 a 30 cm (varia conforme a espécie).
- Peso: 100 g a 700 g.
- Patas: curtas e fortes, com garras longas e curvadas para escavar o solo.
- Dentes: incisivos grandes e salientes — usados tanto para cortar raízes quanto para ajudar na escavação.
- Olhos e orelhas: pequenos, o que reduz os danos ao se mover em túneis apertados.
- Pelagem: densa, variando de marrom-claro a cinza-escuro conforme a espécie e o ambiente.
A visão é limitada — a vida no escuro dispensou esse sentido ao longo de milhões de anos de evolução. O olfato e a audição, por outro lado, são aguçados.
Habitat: onde vive o tuco-tuco?
Os tuco-tucos habitam solos arenosos ou argilosos bem drenados em campos abertos, pradarias, savanas semiáridas e zonas costeiras de planície. Evitam solos muito úmidos ou rochosos, onde escavar seria inviável.
A distribuição geográfica abrange Argentina, Uruguai, Bolívia, Paraguai, Peru, Chile e Brasil. No Brasil, as espécies conhecidas se concentram no Rio Grande do Sul.
Cada indivíduo constrói e defende um sistema próprio de túneis com 2 a 5 metros de comprimento. O sistema inclui câmaras de descanso, câmaras de alimento e saídas de emergência. É um animal solitário: apenas um adulto por sistema de túneis.
Espécies de tuco-tuco no Brasil
No Rio Grande do Sul ocorrem quatro espécies, todas documentadas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS):
- Ctenomys flamarioni — tuco-tuco-das-dunas: endêmico das dunas costeiras do RS. Coloração clara (camuflagem na areia). É considerado vulnerável pelo ICMBio por causa da perda de habitat nas dunas litorâneas.
- Ctenomys torquatus — tuco-tuco-de-colar: identificado por uma faixa branca em volta do pescoço. Ocorre nos campos e pampas do RS.
- Ctenomys minutus: hábitos subterrâneos e comportamento solitário e territorial. Apresenta dimorfismo sexual — os machos são maiores que as fêmeas.
- Ctenomys lami: espécie descrita mais recentemente, restrita a áreas de campo limpo no RS.
O status de conservação das espécies brasileiras pode ser consultado na plataforma SALVE do ICMBio.
O que o tuco-tuco come?
A dieta é herbívora: raízes, tubérculos, bulbos, sementes e partes subterrâneas de gramíneas e outras plantas. O animal raramente sai do túnel para se alimentar — localiza a comida escavando em direção às raízes.
Por isso os tuco-tucos são considerados pragas por agricultores: roem raízes de culturas, redes de irrigação e cabos elétricos enterrados. Em áreas rurais do RS e da Argentina, o controle da população é uma preocupação constante.
Comportamento e relógio biológico
A vida no subterrâneo elimina as pistas de luz que sincronizam o relógio biológico da maioria dos animais. Por isso, o tuco-tuco é um dos poucos mamíferos com ritmo circadiano extremamente flexível — pode ser ativo de dia, de noite ou em padrões intermediários, dependendo das condições.
Em laboratório, quando expostos a um ciclo claro-escuro controlado, os animais mostram padrão noturno bem definido. No campo, o padrão se inverte: preferem atividade diurna, quando o solo está mais quente.
A comunicação ocorre por dois canais:
- Vocalização: o som “tuc-tuc-tuc” que dá o nome ao animal. Cada espécie tem parâmetros acústicos distintos.
- Feromônios: substâncias químicas liberadas para sinalizar território e estado reprodutivo.
Reprodução
O tuco-tuco é solitário, mas temporariamente se junta a um parceiro para reprodução. Os filhotes nascem em câmaras subterrâneas forradas de vegetação. Diferente de muitos roedores, os filhotes do tuco-tuco nascem relativamente desenvolvidos e independentes em poucas semanas.
Conservação
A maioria das espécies de tuco-tuco não está ameaçada globalmente. Porém, espécies de distribuição muito restrita, como o C. flamarioni no litoral gaúcho, são vulneráveis à perda de habitat. A expansão urbana sobre as dunas costeiras do RS é a principal ameaça a essa espécie.
Para conhecer outros mamíferos subterrâneos e animais da fauna do sul do Brasil, veja também nossa cobertura de fauna brasileira.
Perguntas frequentes sobre o tuco-tuco
O tuco-tuco existe no Brasil?
Sim. No Brasil, os tuco-tucos (gênero Ctenomys) ocorrem principalmente no Rio Grande do Sul. Quatro espécies são documentadas no estado: C. flamarioni (nas dunas costeiras), C. torquatus, C. minutus e C. lami.
Por que o tuco-tuco tem esse nome?
O nome é uma onomatopeia do som que o animal produz dentro dos túneis — um repetitivo “tuc-tuc-tuc” ou “tucu-tucu”. Essa vocalização é usada para comunicação com outros indivíduos e para marcar território.
O tuco-tuco é perigoso para humanos?
Não. O tuco-tuco é um animal tímido e raramente entra em contato com humanos. Pode morder se capturado, mas não representa risco à saúde pública. É considerado praga por agricultores por roer raízes e cabos enterrados.
O que o tuco-tuco come?
O tuco-tuco é herbívoro. Alimenta-se de raízes, tubérculos, bulbos e partes subterrâneas de gramíneas e outras plantas. Raramente sai do túnel para comer — localiza alimento escavando em direção às raízes.
O tuco-tuco é solitário?
Sim. O tuco-tuco é um animal solitário e territorial — apenas um indivíduo por sistema de túneis. Os animais se encontram apenas no período reprodutivo.






